Prometi a mim mesma que não falaria de você hoje, então acho que devo falar sobre o meu dia, sobre a aspirina que eu tomei ao acordar por causa do porre da festa de ontem à noite (na qual tentei te substituir e foi em vão), aquela xícara de café pela metade na mesa quando saí atrasada pro curso, sobre o breve momento que eu passei os dedos nas orelhas e percebi que só havia um brinco ali, quão desajeitada eu sou. Aquele maldito ônibus que saiu 2 minutos mais cedo, me fazendo revirar a bolsa atrás daquilo que não parava de tocar aquela música irritante (que eu prometi que mudaria) e que você chegou a chamar de celular. Quando atendi, senti sua respiração o outro lado e todo aquele ódio que eu sentia de você foi embora. Prometi não falar de você então desliguei o telefone. Precisei respirar fundo uma vez, duas vezes e até três vezes, até aquela vontade de deixar tudo ali jogado no chão da rua e voltar correndo pras tuas cobertas quentinhas passar.

Eu falando de você. Passou. Deveria falar daquele menino pequeno fofinho da esquina que me deu uma rosa e disse “bom tarde”, sobre aquela sandália fajuta que quebrou na porta de casa, sorte eu já estar ali. Sobre o cachorro que despedaçou todas as minhas margaridas no jardim (aquelas que comprei quando você voltou pra casa da última vez). Sobre a festa que fui de novo tentar em vão substituir a plaquinha no coração que nela está escrito teu nome, quando tentei retirá-la, aquela colinha não soltou de jeito nenhum (devido ao tempo que permanece lá) e eu tive que me conformar que ela irá ficar mais tempo lá, pra me lembrar de que não importa o esforço que eu fizer, aquela placa foi colocada lá com super bonder e só você tem a capacidade de removê-la.

Bebi um gole, dois talvez, daquela bebida azul que você gosta tanto e só agora percebi o motivo, ela te dá forças para fazer coisas que sóbrio você tem vergonha (ou seria todas as bebidas e eu só havia tomado aquela pra lembrar de você?),como no meu caso, naquele momento te ligar e dizer que eu ainda quero teu perfume pela casa, seu cafuné no frio, te riso na escuridão do quarto, ou seja, prometi o dia inteiro não falar de você e aqui estou só confirmando no telefone o que você já sabe: eu te amo então volta pra casa.

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