Título Original: La piel que habito
Ano de Lançamento: 2011
Diretor: Pedro Almodóvar
Elenco: Antônio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Blanca Suaréz, Jan Cornet, etc.
Gêneros: Terror, Suspense, Drama
Nacionalidade: Espanha

Com roteiro baseado no romance Tarântula, de Thierry Jonquet (que eu não li, mas quero muito ler), A pele que habito conta a história do cirurgião plástico Robert Ledgard (Antônio Banderas), que após suicídio de sua esposa, vive com sua filha Norma (Blanca Suaréz). Esta adquiriu problemas psicológicos em decorrência desse suicídio e, por recomendação médica, é levada a tentar se socializar. Um acontecimento, porém, induz seu pai a acreditar que ela foi estuprada, levando-o a elaborar um maquiavélico plano de vingança.
Embora seja essa a sinopse do longa-metragem, tais fatos acontecem nos primeiros 25% da película. Durante a trama, que de fato é envolvente, a narrativa trás fatos em tempos diferentes. A forma abrupta com que isso acontece pode incomodar alguns expectadores, mas creio que seja um mal necessário para não se deixar pontas soltas na trama.
Do título original “La piel que habito”, o filme espanhol gerou críticas e dividiu opiniões para os fãs do renomado diretor Pedro Almodóvar. A pele que habito prometeu ser um filme de terror sem gritos e sustos, buscando implantar elementos do terror puro e da uma violência sofisticada. Trabalhando os elementos de cena da forma mais elementar, retirando assim o peso de uma significação. Um objeto é apenas um objeto e faz seu papel, independente da interpretação do expectador.
Quanto ao cast, além dos supracitados, Elena Anaya, Marisa Paredes e Jan Cornet, abrilhantam o filme, dando uma ênfase na primeira, que a cada cena demonstra ao público um sentimento estupefato necessário para a personagem.
Pra quem espera as cores vivas, geralmente atreladas às obras de Almodóvar, pode-se esperar uma grande decepção. O longa trás uma iluminação mais sóbria, como “La mala educación” do mesmo diretor, o que pra mim é um ponto positivo, combinado com a pouca densidade de elementos de cena.
Do ponto de vista social e psicológico dos personagens há muito que se observar, pois há uma gama considerável de perfis que vão da psicopatia à depressão.  Tais temas são retratados sem sensacionalismo, trazendo uma visão natural sobre os personagens. Contudo, a própria naturalidade trás uma visão perturbadora sobre cada cena. E mais uma vez relato sobre a perspectiva do objeto pelo objeto, onde um desvio psicológico é apenas um desvio psicológico. Pessoas com tendências homicidas terão sempre tendências homicidas, esperando-se apenas pela situação adequada.

Embora a palavra “perturbador” seja praticamente ideal numa definição, a obra não chega nem aos pés de clássicos como “Calígula” ou “120 dias em Sodoma” nesse quesito. Contudo, é uma boa obra, apesar de inúmeras críticas negativas das quais eu li. Pessoalmente (se essa humilde opinião lhe for relevante) é um filme na categoria “Muito Bom”, sem evidente superioridade, mas também sem grandes defeitos. 

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